Importância da renovação do ar

Renovação do Ar de ambientes, com entrada de ar externo, é item essencial no uso do ar-condicionado no período da pandemia, este conceito foi a conclusão do webinar do Qualindoor ABRAVA

O uso do ar-condicionado durante a pandemia é recomendado? A resposta é SIM, mas alguns detalhes precisam ser observados de acordo com especialistas.

De curadoria do Qualindoor – Departamento Nacional da ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, no dia 22 de setembro aconteceu o webinar que destacou o “O uso do Ar Condicionado durante a pandemia”, O tema foi discutido  por especialistas do setor, Antonio Mariani, Marcelo Munhoz e Leonardo Cozac, com o Médico e Prof. Paulo Saldiva.

Para Marcelo Munhoz, presidente do Qualindoor ABRAVA e Sócio-Diretor da Sicflux, o momento foi mais do que oportuno em elucidarmos certas dúvidas sobre o uso do ar-condicionado bem como informar a sociedade dos riscos de não ter uma renovação de ar adequada nos ambientes internos.

Usar ou não o ar-condicionado durante a pandemia?

Durante o evento diversos aspectos foram abordados sob a temática de usar ou não o ar-condicionado durante a pandemia da COVID19, haja vista que o contágio do vírus SARS-CoV-2 pode acontecer pelas vias aéreas, pois pode ficar suspenso no ar.

O evento foi mediado por Munhoz e o Eng° Leonardo Cozac, membro do Qualindoor,  que juntos interagiram com convidados e público durante a programação, atuando em questões técnicas e esclarecimentos em relação à posição do Qualindoor ABRAVA referente ao tema do webinar. 

O Eng° Dr. Prof. Antonio Luis Mariani direcionou sua palestra de forma técnica relacionada ao ar-condicionado e a importância da ventilação natural. Abriu suas considerações com o vídeo produzido pela NHK, empresa japonesa, referente a transmissão do vírus pelo ar, nele é possível ter certeza que o vírus de fato paira no ar, e se não houver circulação e renovação do ar no ambiente é possível que várias pessoas se contaminem, caso o ambiente tenha sido frequentado por alguém contaminado, mesmo depois de algumas horas.

Mariani apresentou ainda, o resultado de uma pesquisa realizada sob sua coordenação no LEQAI – Laboratório de Estudos da Qualidade do Ar de Interiores da POLI-USP, que constatou a importância da renovação de ar para redução de CO2 e partículas em ambientes internos.

A recomendação de Mariani para a uso do ar-condicionado é que abrir portas e janelas pode ser uma solução, mesmo mantendo ar-condicionado ligado em caso de temperaturas mais altas durante a pandemia

Para a ocasião foi convidado o médico Dr. Paulo Saldiva, um dos 239 cientistas do mundo que assinou a carta à OMS reconhecendo a transmissão da COVID19 por micropartículas. Ele destacou que “O corona vírus veio para ficar e ficará mutante por muito tempo, gerando assim um desafio à sociedade”. Evidenciou que, os desafios da economia mundial com a pandemia e globalização atinge escala global, e que países em desenvolvimento não conseguem fazer a quarentena, pois suas economias já são muito frágeis.

Durante o relato de abertura, Saldiva reforçou que a pandemia trouxe muito aprendizado a todos. Destacou que o vírus não tem uma alta letalidade, mas sim uma alta contagiosidade. Explicou que, o fato que levou a comunidade de cientistas à analisarem as condições de contágio foi a preocupação com a qualidade do ar interno, visto que exceto em grandes aglomerações externas, o ponto de contaminação está nos ambientes internos, tendo em vista que o vírus SARS-CoV-2 poderia ficar em suspensão no ar por um maior tempo, caso o ambiente não tivesse ventilação suficiente para renovação do ar interno. Foi a conclusão dessa pesquisa que levou à OMS a reconhecer que o contágio poderia acontecer pelo ar. 

Destacou ainda que, o contágio não se dá pelo uso do ar-condicionado, e sim ambientes fechados sem os devidos cuidados, reforçou que a abertura de portas e janelas pode ajudar na ventilação do ambiente, ação que garante segurança no retorno às atividades econômicas.  No caso do uso de sistemas de climatização, reforçou que a renovação do ar do ambiente realizada de forma mecânica, pela circulação do ar pelos dutos dos sistemas de ar-condicionado tem a função de diluição dos contaminantes, dispersando assim os possíveis focos de vírus. Mas, ressaltou ser um desafio ao setor que representa o ar-condicionado e relacionou alguns pontos de destaques, como a importância e complexidade dos filtros dos equipamentos e a necessidade do desenvolvimento de novos sistemas de esterilização do ar. 

Saldiva chamou atenção para a necessidade de manutenção de sistemas de climatização, para que que estejam sempre em condições adequadas para uma boa qualidade do ar interior, concluiu seu pensamento destacando que o setor AVAC-R terá que se preparar para a demanda, pois entende que sem vacina, um caminho é que o setor de climatização enfatize ao mercado os aspectos técnicos e de aplicação de forma que possam ajudar nesta situação de necessidade do uso do ar-condicionado em ambientes internos de forma segura, seja ele com novas tecnologias ou com novas formas de operação dos equipamentos, como por exemplo, o aumento da vazão do ar, mas entende que, o responsável em apresentar as soluções neste sentido são as empresas e profissionais do setor do ar-condicionado.

Neste contexto, o uso do ar-condicionado passa a ser observado sob outra ótica, pois há muito tempo, o uso do equipamento de climatização deixou de ser luxo, se levado em consideração sua aplicação não só pelo conforto térmico, mas como qualidade do ar respirado, filtragem de poluentes do ar, bem-estar, controle de doenças respiratórias, além de seu importante papel em ambientes médicos, e necessidades para ambientes industriais e comerciais.

Ao final das duas palestras muitas perguntas do público participante foram respondidas.

Para o eng. Leonardo Cozac, o evento foi uma ótima oportunidade para o público, tanto da área de engenharia, área medica e usuário final, entender os benefícios que sistemas de climatização trazem a sociedade quando bem executados. Cumpre a missão do Qualindoor de levar informações técnicas de credibilidade a sociedade. E mostra que temos muitos desafios para evolução da qualidade do ar interno nas edificações em nosso país.

Confira a integra do evento AQUI 

Fonte: Abrava